Corrigir o entendimento de outra pessoa sobre seu produto é um crime.

Tudo bem, ninguém vai lhe prender por causa disso, mas com certeza você perderá uma boa oportunidade de aprender.

Pitches, inceptions, estratégia, visão, etc, sempre enfatizam a importância de um entendimento conjunto sobre, dentre várias coisas, o que uma empresa ou produto é. Entretanto, não precisamos confundir isso com a percepção que as “pessoas de fora”, sobretudo clientes, têm sobre nós.

Você já passou pela experiência de explicar para uma pessoa sobre seu produto e ela dizer algo como:

“Hum, entendi, é parecido com…”

ou

“Saquei, é tipo um X só que para Y.”

ou

“Ah, mas isso aí já existe, a empresa X tal faz isso.”

E aí você sente uma vontade quase incontrolável de corrigi-la?

Pois é, talvez não seja o melhor a ser feito. Ainda mais se sua empresa (ou produto, ou startup, ou funcionalidade) está no início ou, até mesmo, é somente uma ideia.

Never stop learning…

Enquanto pessoas responsáveis por um produto, nós precisamos sempre aprimorar nosso entendimento sobre o modelo mental de nossos clientes (ou clientes em potencial).

Então, quando alguém tenta manifestar seu entendimento sobre alguma coisa, temos uma chance única de entendermos como esse alguém se expressa, pensa e age. E isso é ouro para nós e nosso produto. Vários insights podem vir dessas explicações, desde nomenclaturas melhores a necessidades escondidas.

É claro, se você estiver explicando para seu tio que nunca precisou saber o que é um website o que a sua empresa de hospedagem tem de diferente das outras (no meu caso, a Umbler), não tem problema “influenciá-lo”. O problema é quando corrigimos pessoas que tem potencial de usar o que estamos construindo. Nesse caso, o melhor a fazer é escutar.

Aliás, escutar ainda é uma habilidade ainda rara entre os humanos profissionais responsáveis por produtos.

Poderia ser pior.

Muito pior do que corrigir a visão de um cliente sobre o que você está construindo é nunca sequer dar a oportunidade de alguém lhe explicar o que você está construindo.

Eu já trabalhei numa startup onde a única visão que tínhamos era a minha e dos meus colegas. Nem preciso dizer o desfecho dessa história…

Ainda não conversa, entrevista ou pesquisa seus clientes?

Eu adoraria lhe dizer que nunca é tarde demais para começar, mas eu estaria mentindo…

Até porque, isso é muito relativo. Pode ser tarde demais para “salvar” o seu produto do jeito que ele está, mas cedo o suficiente para lhe poupar mais 6 de trabalho sem resultado.

O certo é que nunca, nunca mesmo é cedo demais.

Na dúvida, entre em contato, vamos trocar uma ideia. Tenho conversado com vários founders, designers e gerentes de produto sobre assuntos relacionados ao usuário no centro de tudo. Sempre há algo de útil para aprendermos juntos 😉